domingo, 26 de março de 2017

A MÁ IMPRENSA

"O povo mais religioso do mundo que lesse maus jornais chegaria a ser, em trinta anos, um povo de ímpios e revolucionários. Humanamente falando, não há pregação que frutifique diante de má imprensa".
********

Cardeal Pie (1815 – 1880)

sábado, 25 de março de 2017

HINO AO CRISTO


O COMUNISMO ATEU QUER VIVER NO MUNDO

Padre Palma

A grande desordem hoje existente na terra é triste fruto da trama soviética que domina os homens sem-deuses da sociedade ambiciosa. O tal comunismo quando se revolta contra Deus, é para perseguir a humanidade inteira, se fora possível.
Para tanto, acabando com a religião, quer o comando supremo de cada nação, escravizando as massas populares.

I

Declarando-se ATEU, avança com sua ideologia materialista voraz, sequestrando e liquidando a propriedade particular do homem. Sistema cheio de erros sociais, que pretende encampar tudo nas mãos do Estado absoluto, sob o guante do comunista de escol. Toda a pessoa humana sofre por todas as formas. O amor livre implantado por essa teoria destrói e dá cabo da família. Os filhos são do Estado. Os adultos têm o trabalho forçado e a ração diária. As mulheres são vigiadas pela guarnição de soldados. Não há liberdade, mas licenciosidade. Não há direito e nem justiça, mas o severo arbítrio do camarada chefe. Não há respeito à autoridade e impera o despotismo. Despotismo primeiro entre os mandões e depois entre os inimigos do credo moscovita rubro.

II

Os partidários e chefes supremos do comunismo nunca podem estar tranquilos e sossegados. A menor suspeita os levará ao campo de concentração militar, ao cárcere e masmorra e à morte certa em pouco tempo. Pois é sabido que os heróis da véspera serão devorados pelos heróis do dia seguinte. O maior inimigo do comunismo é o próprio comunista, que vê em todos um seu rival. O pavor persegue a todos.
- Quem perde a fé religiosa, também perderá a consciência humana.

*****************
Publicado no Jornal “A União”, de 14-03-1948, n. 8, p.2.

terça-feira, 21 de março de 2017

O cura d'ARS


A 31 de Maio deste ano foi canonizado João Maria Batista Vianney (1786-1850) o celebre Cura d’Ars, ao qual nestes termos se refere, em um dos últimos números da revista “E’tudes” o jesuíta Paul Dudou:
Levou na sua paroquia d’Ars, durante quarenta e um anos, uma vida de santo (1818-1859).
A casa dele era a Igreja. De madrugada, já lá estava a rezar. Dizia sua missa, como um serafim, pregava com uma unção de abalar montanhas; ensinava catecismo numa linguagem luminosa ainda para os espíritos menos penetrantes; ouvia de confissão inúmeras pessoas, doze, quinze, dezoito horas seguidas, com uma paciência, uma bondade, uma autoridade de direção, difícil de imaginar.
Quando cessava de ser dos outros, nem por isso se pertencia a si próprio.
Refeições ligeiras, ou antes, repastos de mendigos, temperados com a mortificação quotidiana. Sono curto e mal, no chão duro; noites passadas em sangrentas penitencias, em lutas contra os assaltos do “tinhoso”, em conversas com Deus por meio do breviário ou da oração mental.
Nada de adegas, nem copa, nem vestiários. Não tinha casa montada. Dinheiro, provisões, roupas de cama ou de mesa que passavam pela mão desse perdulário, lá se ia tudo entregue ao primeiro necessitado que se lhe punha diante.
Pouco se lhe dava do amanhã. O cura d’Ars seguia à risca o programa evangélico traçado pelo Cristo nos capítulos V e VI de São Mateus.
No início da carreira pastoral, saia da paróquia, para ajudar os colegas da vizinhança, quando ausentes, em missões ou jubileus.
A breve trecho, apegaram-se as almas àquele pregador e àquele confessor que não se parecia com nenhum outro. De Montmere, Saint Trevier, Savigneux, Caueins, São Bernardo, Trévoux.
Era costume ir muita gente a Ars, em busca do homem de Deus, cuja vida e cujos conselhos tocavam as raias do prodígio.
Assim é que começou essa romaria que aos poucos arrastava aos pés do santo, peregrinos de Dombes, da Bresse, do Bugey, do Beaujoiale, do Lyonnais, e da França inteira, da Bélgica, da Inglaterra e das duas Américas.
Ars, aldeia obscura do preguiçoso Saône, e dos açudes das Dombes, ficou sendo uma das encruzilhadas do mundo.
_____________________

Publicado em A Cruz, n. 30, de 19 de julho de 1925. 
 

sexta-feira, 17 de março de 2017

A VIRTUDE DA TEMPERANÇA

A temperança liga-se estreitamente à prudência pois modera as paixões do concupiscível e conserva-as num justo meio razoável entre o excesso e a carência. Ela se une à justiça pelos atos e pela rejeição à intemperança, vício essencialmente próprio ao indivíduo dedicado ao seu prazer pessoal. Ela é companheira da força, que luta pelo bem comum, já que é impossível ser forte sem ser temperante.
(...)
Não há nenhuma outra virtude que esteja em mais estreita conexão com todas as demais ou que lhe seja mais extensível: quase todas as virtudes, cardeais ou não, tem necessidade da temperança para se levar a efeito. Seu uso é freqüente, cotidiano, e, se a força a supera “dum certo modo” (quoad aliquid) por seu aspecto social, por sua freqüência necessária e pelos vínculos concretos com as demais virtudes, a temperança pode encontrar a preferência do moralista, não somente em relação à força, mas “mesmo à justiça”. Ela é uma virtude viril e santo Tomás, seguindo Aristóteles, comenta com precisão que seu contrário “é um pecado de concupiscência” excessiva que, de ordinário, atribuímos às crianças. Igualmente destaca, acompanhando “o mestre daqueles que sabem”, que a intemperança é um vício mais grave que a pusilanimidade, porque é mais voluntária, mais própria do homem feito. O pusilânime tem quase sempre o espírito paralisado diante do perigo da morte física ou moral; é mais sujeito aos impulsos exteriores que sofre, mais sensível aos riscos e às ameaças em geral. O intemperante é atraído pelos gozos particulares, adjacentes ou acessórios às concupiscências da natureza. Ora, “é pura e simplesmente mais voluntário o que é voluntário nas ações singulares, nas quais culminam a virtude ou o vício, no sentido próprio dos termos”.

Mas, indo um pouco além, estas ações singulares não estão isoladas de seus prolongamentos sociais. A vergonha que se associa à intemperança se opõe à honra e distinção da virtude contrária. Sem dúvida, a intemperança é freqüente em meio à humanidade, e sua repetição, por demais visível, parece diminuir a vergonha e a desonra que se associam a ela na opinião dos homens. Todavia, elas não se apagam completamente dali: a natureza do vício ao qual sucumbe o intemperante, marcada por sua gravidade, opõe-se a isto. Demais, os estigmas deixados pela intemperança sobre o aspecto do homem ― a abjeção de sua conduta libidinosa ― apagam, diz-nos Santo Tomás com profundeza, o brilho e a beleza inerentes ao homem temperante, equilibrado, dono de si, seguro das finalidades que persegue, e cuja razão ilumina, por sua transparência, os atos virtuosos. Um visível envilecimento caracteriza o libidinoso e, na mulher, os artifícios que o dissimulam só acentuam a ausência de castidade. Todos esses sinais, ao mesmo tempo individuais e sociais, cujos sentidos são evidentíssimos, manifestam que o homem ou a mulher entregues à intemperança se rebaixam ao nível do animal, destruindo em si as marcas do seu caráter verdadeiramente humano.
 __________________
Marcel de Corte. A temperança, virtude desaparecida. Publicado originalmente na Revista Itineraires n. 250, Fev/81 Tradução: Permanência.